Dentre as várias parábolas e comparações que Jesus usou para ensinar sobre o Reino de Deus, há duas que precisam ser vistas em conjunto: a parábola do trigo e do joio; e a comparação com os campos brancos para a ceifa. Nesta última, estando próximo ao período de colheita, Jesus enfatiza que já chegou o tempo de tomar o grão que foi plantado e que os trabalhadores são poucos, pelo que devemos clamar ao Pai para que envie trabalhadores para os campos. Já na parábola, Jesus fala sobre como esse campo seria semeado: os filhos de Deus plantando a boa semente e os filhos do Maligno semeando o joio entre esta boa semente.
Mas nossa ênfase, neste texto, não será sobre a iniciativa da semeadura, mas sobre o trabalho de colheita.
Jesus conta que, enquanto o trigo crescia juntamente com o joio, os trabalhadores sofrem a tentação de fazer uma separação imediata entre um e outro. A ideia é separar o joio do trigo para que um não roube a energia do outro. Retirar o joio deixa o trigo fortalecido, robusto e bonito. Não é um pensamento errado e nem pecaminoso, mas Jesus ensina que a ênfase do dono da colheita é diferente de quem estava trabalhando nela, ainda que as intenções fossem boas.
A primeira coisa que o dono da colheita ensina é que sua prioridade não é queimar o joio, mas aproveitar o trigo. Quando questionado sobre o trabalho de separar o joio do trigo, o dono da colheita diz que não se deve fazer isso para que o trigo não seja queimado junto com o joio. Isso significa que este trabalho de julgar quem é joio e quem é trigo pode matar gente frutífera, espigas boas, pessoas que não se parecem com a multidão de trigo, mas que são trigo também. Jesus ensina que somos míopes para enxergar quem é ou não é parte do Reino. Este Reino não tem interesse em queimar joio. Tem interesse em salvar o trigo.
Em segundo lugar, somos ensinados que este julgamento sobre quem é joio ou trigo não nos pertence. É um julgamento sobrenatural, feito juntamente com os anjos, do qual não temos uma percepção aguçada porque dispomos de meios imperfeitos para julgar o próximo. O julgamento será só no último dia e, até lá, nosso trabalho é só preparar a colheita para ser aproveitada.
Como ceifadores, nos cabe manter a foice afiada para colher. Levar o trigo a ser aquilo que nasceu para ser: alimento para o faminto, alento para o cansado, sabor para o que aguarda suas delícias. O Reino de Deus não se alegra quando trigo é desperdiçado, mas se alegra quando o trigo é aproveitado em sua totalidade. O Reino de Deus não olha para o campo à procura de joio, mas à procura de trigo, para lhes fazer brotar na alma os desejos do Pai, a motivação de que servem a uma glória maior, a um plano maior do que nós mesmos. Quem colhe para o Reino precisa entender, viver e trabalhar neste sentido.
Quantas vezes eu olhei somente para o joio? Quantas pessoas hoje estão querendo somente eliminar o joio? Olhe mais para o trigo. Há muito trigo por aí. Falta gente que observe o trigo e faça bom uso dele para a glória de Deus. Talvez por isso Jesus nos disse que a colheita é grande, tem muita gente trabalhando nela, mas os que colhem de verdade ainda são poucos. A maioria está apenas separando o joio. E estragando o trigo com ele.
Deus nos abençoe.
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